O Caso do Garoto Sean: Tocando na Ferida

Primeiro uma cronologia rápida do caso:
1997: O modelo americano David Goldman conhece Bruna Bianchi na Itália
1999: Eles se casam
2000: Nasce o filho dos dois, que se tornaria foco de disputa judicial entra Brasil e EUA
Junho de 2004: Bruna e o filho viajam de férias dos EUA para o Brasil. Bruna liga para Goldman pedindo o divórcio e a guarda do filho
Julho de 2004: Bruna recebe a guarda do filho após decisão de vara da família do Rio
Agosto de 2004: Tribunal de Nova Jersey julga errados os esforços para que a criança ficasse no Brasil e ordena que ela seja repatriada imediatamente
Setembro de 2004: Goldman apela à Justiça, e o caso passa a ser considerado abdução internacional, sujeita a convenção internacional
2008: Bruna morre, aos 34 anos, de complicações no parto de seu 2º filho, uma menina, fruto de um novo casamento no Brasil, com o advogado João Paulo Lins e Silva
2009: A acusação de abdução internacional de crianças vira tema entre a secretária de Estado, Hillary Clinton e o chanceler brasileiro, Celso Amorim.
Bom, agora expresso minha opinião:
Se eu me caso com uma estrangeira e tempos depois nasceu nosso filho aqui no Brasil.
A relação pode não estar muito boa, não importa, e ela vai passar férias em seu país natal com nosso filho.
De lá ela telefona e diz que quer se separar e simplesmente não voltará mais com NOSSO filho.
Ela se casa e depois de uma fatalidade perde a vida e MEU FILHO fica com o atual marido e a justiça daquele país decide que isso é o certo e dane-se meu direito de pai.
Anos se passam, a criança está completamente adaptada, fora simplesmente excluída da convicência comigo, e claro, seu desejo após anos e anos é de ficar no atual país.
E o pai? E meu direito? Essa criança nasceu onde? A separação e a viagem foram atitudes honestas?
Desculpe aos que pensam o contrário, mas acho essa história toda um completo absurdo sem precedente. Em minha visão o que aconteceu foi um sequestro. E depois disso uma irresponsabilidade criminosa.
O pai fora excluído e a “justiça” sentenciou que a vida da criança deveria ser no Brasil e ponto final.
E nos casos absurdos de pais que somem com os filhos para Turquia, Líbano e deixam as mães completamente abandonadas e sem nenhum direito. A mesma justiça brasileira vai a público clamar por bom senso e solicita que o país do “pai” devolva a criança à mãe, já que ela nascera aqui, etc, etc.
Dois pesos e duas medidas?
E o que fazer agora, retirar o menino Sean da família anos depois de adaptação e “devolvê-lo” a um pai que fora completamente excluído da vida do menino e pelo qual o amor deve ser mínimo?
Sinceramente vejo isso como mais um papelão da justiça e prova total de incompetência. Será que se a família do Rio de Janeiro fosse pobre a história teria tido o mesmo desfecho? Claro que não. A justiça por aqui enxerga plenamente e sou prova disso pois já precisei dela para ter meus direitos e só obtive a certeza de que perdi tempo, saúde, etc.
Só resta desejar muito boa sorte ao Pai e meus pêsames ao competentíssimo STJ.
Sobre o Autor
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